Esperar... esperar... esperar...

"Esperei com paciência que Deus me socorresse; então Ele ouviu-me e atendeu ao meu apelo. Tirou-me dum poço de desespero, dum charco de lodo, e pôs-me os pés sobre uma rocha, fez-me andar num caminho seguro.

Deu-me, para cantar, um novo cântico de louvor ao nosso Deus.

E agora muitos poderão ouvir as coisas maravilhosas que Ele fez por mim, e porão, por sua vez, igualmente a sua confiança no Senhor." Sl 40:1-3



Esperar com paciência...


Estes versículos são para mim muito especiais, ainda mais ultimamente.

Ando a esperar com paciência que Deus me socorra.

Se é preciso paciência para esperar, é sinal de que a espera é longa, significa que o socorro de Deus não tem sido imediatamente visível.

Algumas vezes o socorro de Deus tem sido imediato na minha vida e eu adoro-O muito quando isso acontece, mas quando esse socorro é lento, invisível aos meus olhos, o meu coração quebranta-se muito mais, depende muito mais d'Ele, aprende a chorar no Seu colo, a estar mais tempo diante do Trono.

Isto é o que tenho vivido. Uma espera longa para a qual eu preciso ter a paciência divina de esperar, aquietar-me e ver Deus a agir, ainda que os meus olhos não vejam nada, não vislumbrem nada a acontecer.

Nunca vivi isto com tanta intensidade como nos últimos meses. Depois de tantos anos de cristã parece que só agora ando a aprender a confiar plenamente.

Plenamente... totalmente... inteiramente... ainda que tudo pareça contrário.

Uma vez ouvi que Deus quer de nós o tipo de fé ilustrado no seguinte exemplo: nós vamos andando e vemos ao longe uma porta automática, daquelas que se abrem quando nos aproximamos dela, por causa do sensor que têm. Fé é ir mesmo vendo essa porta fechada, crendo que quando eu chegar perto dela, ela vai-se abrir.

Em todo este tempo Deus tem-me levado a destronar muitos sentimentos e pensamentos errados que tinha no meu coração. Para serem purificados, têm de estar a ser provados pelo fogo, como um metal que fica mais puro.

Tudo o que ando a viver é resposta que Deus deu a alguns pedidos que Lhe fiz. Quando me apercebi disso, o meu coração tremeu. Deus está a responder mas não da forma que eu queria, que eu imaginava. Quase me arrependi do que pedi, pois a resposta que Ele me deu não é fácil, não é leve. Mas é nestas alturas que posso experimentar como o Seu jugo, esse sim, é leve.

Ao passar por esta prova, sinto-me já diferente. Está a produzir coisas no meu interior que eu não sei explicar mas que eu sei que são aquele tipo de coisas profundas, que vão servir de alicerce para algo mais que virá depois.

Está e continua a colocar os meus pés sobre uma rocha. Mais firmes, menos hesitantes, menos errados. Uns pés mais dependentes.

Agradeço a Deus tudo o que tenho vivido. Ele sabe que eu preferia não viver o que estou a viver, pois a minha carne diz-me isso. Mas no meu espírito eu sei que é o melhor para mim, por isso muitas vezes eu apenas Lhe digo: "Tu sabes todas as coisas. Adoro-Te."

Escrevo tudo isto aqui por algum motivo. Que Deus seja o Teu consolo também, tu que lês estas palavras e precisas do consolo e paz vindas de Deus. Que usufruas d'Ele como Pai.

Sinto-me...

... talvez como Elias se sentiu após a sua grande vitória sobrenatural no Monte Carmelo.

Sempre que penso em Elias e nesse acontecimento, penso que se fosse eu a viver tudo aquilo, eu já não duvidaria de nada.

Depois de ver e assistir Deus a agir na minha vida em coisas que estavam a ser difíceis para mim, senti o mesmo: "Eu não vou mais duvidar de que Tu ages, Deus."

Mas o que é certo é que duvido.

Tal como Elias fugiu "apenas" de uma ameaça, a mim também me apetece fugir um pouco de Deus. Talvez não fisicamente, mas interiormente, ficando no meu canto. Pensando n'Ele, de vez em quando, apenas...

Até hoje penso neste sentimento... o meu e o de Elias... as grandes vitórias deveriam levar-me para mais perto de Deus. E levam, temporariamente, mas passado uns tempos parece que me esqueço de tudo o que vivi.

Não escrevo tudo isto com um discurso derrotista. Escrevo com o coração contristado porque me vejo, por vezes, interesseira com Deus. Quero agir por amor e sinto, aos meus olhos, algum amor por Ele, mas quando tudo está bem na minha vida, parece que esse amor diminui. Já não preciso tanto desse amor porque a vida que levo aqui na terra é uma vida feliz. Graças a Ele, não a mim.

Hoje, com o coração apertado, orei: "Deus, perdoa-me porque não falo contigo por amor mas por interesse."

Sei que foram palavras jogadas no momento, que nem sempre é assim pois o meu coração muitas vezes anseia por Deus, não pelo que Ele faz, mas há uma ponta bem grande de interesse no meu interior.

Neste momento tenho medo de pedir o que tantas vezes já pedi a Deus: "Quero conhecer-Te mais, quero chegar mais perto de Ti, quero ver-Te, quero viver com mais intimidade contigo."

Hoje começo a ter uma ténue ideia do que essa oração implica e não me sinto preparada para viver tudo isso.

Uma melodia minha conhecida ecoa na minha mente há semanas:


"Ainda existe uma cruz p'ra você carregar
Não se deixe enganar, a porta é estreita
O caminho é árduo para você trilhar
Não se deixe enganar
Ainda existe uma cruz,
ainda existe um preço a pagar."


Sou muito indigna de viver seja o que fôr no mundo espiritual. O meu amor é fraco, a minha dependência não é constante, a minha visão perde-se com facilidade.

Quem sou eu diante de Deus para que Ele se lembre de mim?

Sua filha doente, porque afinal Ele veio para os que estão doentes. Os sãos não precisam d'Ele. Eu preciso.

O riso da incredulidade

Deus dá-me muitas lições com amor.

Falando com o meu marido, disse-lhe que gostava muito que uma determinada coisa acontecesse.

Ele sorriu para mim e disse-me que, quem sabe, isso poderia acontecer ainda mais do que eu estava a pensar, a desejar e a precisar.

Eu ri nesse momento, brincando e dizendo que, se calhar, isso ainda aconteceria muito mais do que eu estava a desejar, uma vez que Deus nos dá muito mais do que pedimos ou pensamos.

O que é certo é que o meu riso nesse momento foi um riso como o de Sara, o mesmo que esta deve ter sentido quando ouviu Abrãao dizer que ela teria um filho na sua velhice. No meu interior eu não acreditei que Deus poderia fazer isso.

Que lição tão grande que apanhei... e não é que essa determinada coisa aconteceu mesmo! E ainda mais do que o meu marido tinha dito...

Deus deu-me mais do que eu estava a desejar... e o quanto isto quebra o meu coração, pois se Ele fosse outro Deus NUNCA me daria algo com o qual eu até me ri, de tanta incredulidade que estava no meu coração...

Se Ele fosse outro Deus, apenas me dava o que eu merecia naquele momento: NADA

Mas Ele é alguém impressionante... constrange-me este amor que eu não mereço, nem um pouco...

Uns minutos a seguir à conversa com o meu marido, antes de o meu desejo se concretizar, eu li as seguintes palavras:

"Senhor, Tu conheces todos os meus desejos; os meus suspiros não são segredo para Ti." Salmo 38:10

E, mesmo assim, quando li apenas desejei que estas palavras fossem assim. Não acreditei.

A minha incredulidade é muito grande. Às vezes penso no que será necessário acontecer para que a minha incredulidade deixe de existir. Acho que ainda que eu tivesse também uma coluna de fogo à minha frente, passado uma semana, eu seria como o povo de Israel: habituava-me ao sobrenatural e começava a duvidar e a esquecer-me que ali estava o próprio Deus.

Oh, miserável mulher que eu sou!

Agradeço a Deus pela Sua infinita paciência e o Seu infinito amor para comigo.

Obrigada, Filha...


… por estes teus quatro meses de vida.

Obrigada porque muitas vezes Deus te tem usado como resposta às minhas orações.

Obrigada porque me tens feito sorrir e dar tantas gargalhadas, mas também chorar.

Fazes-me sorrir quando te dou alguns medicamentos e fazes uma cara tão feia como se eu te estivesse a dar a coisa mais amarga do mundo.

Fazes-me ficar de coração apertado quando não estás bem, choras inconsolável e eu nada posso fazer para te aliviar. Apenas ajoelhar-me ao pé de ti e orar, esperando que o médico dos médicos faça algo em ti.

E quantas vezes eu me levantei, nesse mesmo momento, e pude rir tanto porque a resposta acabou de ser dada! E sei que os teus sorrisos nesse momento, ainda que não saibas, não são por acaso. Tu festejas sempre comigo!

Quantas vezes, também, eu me levantei e a situação continua igual. A resposta foi dada em mim. Deus dá-me força e renova-me nesses momentos para que continue a cuidar de ti com o mesmo amor, carinho e atenção. E sentir essa resposta em mim é tão gratificante… eu sei que tu sentes a minha alegria.

Quantas vezes eu te observo enquanto dormes e sei que a paz que me transmites nesse momento é de origem divina. Ensina-me a ver quem eu sou aos olhos de Deus e como Ele próprio me observa enquanto durmo, com o mesmo olhar de amor com que eu te observo.

Quantas vezes eu olho para ti enquanto estás a mamar e me lembro das palavras de David:

“Estou calado e tranquilo, como uma criança saciada ao colo da mãe; a minha alma é como uma criança amamentada!” Sl 131:2

Nesses momentos eu penso e muitas vezes desejo estar dessa forma no colo do meu Pai, satisfeita com o Seu alimento, com a abundância das Sua casa.

Obrigada porque desde que te vejo com os meus olhos, Deus tem-me mostrado que eu sou comodista, o quanto eu gosto do meu conforto, do meu espaço, do meu tempo. E contigo, tantas vezes, Deus tem-me moldado e tem-me feito abdicar de tudo isso por ti. Todas as tuas fases difíceis têm-me feito e transformado em alguém mais puro, como o teu próprio nome indica. Já tão pequenina e já a me transmitir pureza. Que isso se prolongue por toda a tua vida e se estenda a muitas pessoas. Está nas tuas mãos, filha. Já estás consagrada ao Senhor, desde o meu ventre.

Tenho aprendido, nos momentos difíceis, a dizer como Job: “Haveríamos de esperar receber de Deus apenas coisas boas e não também coisas desagradáveis?” Job 2:10

Hoje, enquanto escrevo este texto, tenho o meu coração alegre e grato ao nosso Pai porque Ele hoje me permitiu ver mais um milagre acontecer. Nunca vi tanto Deus agir na minha casa como nestes teus quatro meses de vida.

Obrigada, Pai.

Mais uma vez, aqui ficam umas palavras do Salmo de nós os três. Cada vez as compreendo mais, Pai, e sei que nos acompanharão até o dia em que estaremos todos diante de Ti.

“Nós pomos a nossa esperança no Senhor; é Ele quem nos ajuda e protege! Ele é toda a nossa alegria; confiamos plenamente no Deus santo. Que o Teu amor, Senhor, nos acompanhe, pois pusemos em Ti a nossa confiança!” Sl 33:20-22

20.10.2007

Lágrimas ouvidas


"Descansa no Senhor; espera pacientemente pela Sua acção" Sl 37:7a

As palavras que hoje li e as senti logo para mim.

O Espírito consolou-me com estas palavras.

Se há algo que tenho aprendido, experimentado, é que Deus se move quando choro.

Não que Deus se deixe manipular, mas porque tal como alguém que ama fica constrangido quando vê a outra pessoa chorar, Deus também não é indiferente às minhas lágrimas.

É claro que Ele também se move e também me ouve mesmo quando eu não choro, mas tenho experimentado a Sua amizade para comigo de uma forma especial nestes momentos.

Agradeço-Lhe publicamente pelo Seu apoio, pela Sua força em mim, pelo Seu renovo, porque Ele não é indiferente ao que eu vivo. Agradeço-lhe porque Ele está vivo, porque age, porque ainda hoje Ele ouve e Ele estende a Sua mão.

Obrigada, Pai, porque numa situação difícil para mim, Tu me renovaste e deste um novo ânimo. Sabes como sou fraca e preciso de Ti. A cada minuto. Obrigada porque o Teu renovo traz nova visão das coisas, traz estabilidade, traz força. Obrigada.

Esperar pacientemente pela Tua acção... eu quero, mas preciso da Tua ajuda, desse mesmo renovo que me deste. Comprometo-me a buscá-lo e a esperar pacientemente em Ti.
Realmente estás bem perto de um coração contrito e de um espírito abatido.

Venham, voltem!


Igreja Portuguesa:

Venham, voltemos para o Senhor; foi Ele quem nos despedaçou, será Ele quem nos há-de curar.

Fez a ferida que sentimos, mas também tratará dela. Com Jesus nos deu a vida e nos ressuscitou para uma nova vida. A partir daí, vivemos diante d'Ele.

Oh, que possamos conhecer o Senhor! Apressemo-nos a conhecê-Lo; responder-nos-á tão certo como nos levantamos todos os dias.
Ó, Portugal, que hei-de eu fazer convosco? Porque o teu amor desaparece como as nuvens pela manhã ou como o orvalho com o nascer do Sol.

Mandei os meus profetas para te advertirem da minha condenação; abati-te com as minhas palavras, ameaçando-te de morte. De repente, sem aviso, os meus juízos cairão sobre ti tão certo como o dia seguir-se à noite.

Mais do que os vossos sacrifícios quero a vossa bondade; mais do que os vossos holocaustos quero o conhecimento de Deus.

Mas, à semelhança de Adão, quebraste a minha aliança; recusaste o meu amor.

Baseado em Oséias 6:1-7

Há coisas que só existem no domínio espiritual, antes que eu as veja aqui na terra.


Nesse domínio, elas são mais que certas.
Só as posso ver com fé. E como ela me falta...


David foi consagrado Rei de Israel quando ainda Saul era o Rei vigente. E o tempo que se passou até que David começasse mesmo a exercer o seu papel de Rei...

Fé. No domínio sobrenatural podemos ver aquilo que ainda não se vê materializado.

Para mim, é tempo de acreditar naquilo que já foi falado mas que eu não vejo.
Tão simples estas palavras de Deus para mim, mas tão complicadas.

Acrescenta a minha fé, Paizinho. A rocha está a formar-se debaixo dos meus pés e eu quero acreditar com mais intensidade. Ajuda-me.

Ainda há videntes e sentinelas?

"Outrora, em Israel, o profeta era chamado de vidente e, por isso, quando alguém desejava consultar o Senhor, dizia: 'Vamos ter com o vidente'." I Sm 9:9

E o profeta transmitia as palavras de Deus.


Há quem pense que hoje em dia já não existem profetas. Os que se auto-intitulam são falsos, pensam. E se calhar alguns são, pois quando alguém se auto-entitula alguma coisa, para mim é logo de desconfiar. O título, seja qual fôr, não importa. Pelo menos para mim. Se assim fosse, todos deveríamos entitular-nos de acordo com os nossos dons. Mas não, apenas se dá títulos aos pastores, reverendos, apóstolos e missionários.

E os que falam línguas, e os que as interpretam?
E os que exercem misericórdia?
E os que ensinam?
E os que têm sabedoria especial?

Estes não precisam de título?

hihihi, foi só um aparte.

Os profetas são, quase sem excepção, pessoas incomodativas, mesmo que estejam calados.
Engraçado que o Rei Acab chegou a reunir 400 falsos profetas, mas quando foi interrogado se haveria mais algum (o verdadeiro), ele não queria porque esse trazia-lhe sempre más notícias.

Pois é, os verdadeiros profetas são muitas vezes portadores de más notícias.

São como uma sentinela.

"Chegou o dia do teu castigo, anunciado pelas tuas sentinelas, os profetas." Miqueias 7:4b

Quando todos dormem, eles sabem o que pulsa no coração de Deus, eles sabem o que Deus está a ver, a sentir, a fazer.

Quando todos estão cegos e acham que as coisas não mudam, os profetas conseguem ver o agir de Deus.

Eles são videntes e sentinelas, por mais que estas palavras façam comichão aos "crentes".

Sim, muitas vezes sabem o futuro, porque Deus lhes revela. Sim, sofrem muito por serem sentinelas, porque vivem a situação do povo de uma forma muito mais chegada, logo muito mais angustiante do que quem não vive assim.

Sim, os profetas existem mas muitos impedem-nos de profetizar. Muitos são como o Rei Acab:

"Calem-nos, porque só trazem más notícias. Que mania que têm de que as coisas estão mal. Parece que não conhecem outras palavras que não sejam arrependimento e culto verdadeiro."

Mas eles existem e foram eleitos por Deus. E, tal como a Jeremias, Deus os fortifica para que possam resistir aos próprios irmãos.

Quase que o nome "profeta" deveria significar "portador de más notícias", "desprezado", "em minoria", "luz na escuridão".

Será por acaso as Lamentações de Jeremias terem sido escritas por um profeta?

Oro pelos profetas nesta minha geração. Eles existem porque há uma necessidade de conhecermos Deus e o Seu coração.

Nunca quero menosprezar a palavra dos profetas verdadeiros.

Como é que Te desprezámos?

Deus diz-nos, hoje em dia:

"Sendo eu o vosso Pai, porque não me honram? E sendo o vosso amo, porque não me respeitam? Vocês desprezam-me e dizem: 'Como é que te desprezámos?" Malaquias 1:6b


Desprezamos Deus como corpo e ainda Lhe perguntamos, com a maior lata: Nós? Mas como? Não! Os que professam outras religiões é que te desprezam! Nós continuamos a falar de Jesus como o único caminho. Não... isso não é para nós.

Desprezamos Deus quando se passam anos e por vezes nem sequer oramos SINCERAMENTE para que Deus mostre a Sua vontade nas nossas Igrejas. Preferimos seguir rituais, tradições, porque se fugirmos disso, algumas pessoas não vão gostar.

Desprezamos Deus quando a nossa fé é apenas teórica
Quando alguém está doente, nós oramos: "Deus, dá sabedoria aos médicos e diminui o sofrimento dessa pessoa." Já não se ora impondo as mãos na pessoa, os presbíteros da Igreja já não ungem essa pessoa. Já não se acredita que a oração, feita com fé, curará o doente. Palavras de Tiago.

Quando precisamos saber a vontade de Deus, votamos por maioria ou tira-se à sorte. Não se crê mais que a Revelação de Deus pode ser directa, falada, sussurrada, mostrada de uma forma visível. Já não precisamos disso. Antes sim, mas agora já não.

Desprezamos Deus quando os nossos cultos em conjunto são previsíveis. Os dirigentes de culto são meros apresentadores, levam até às vezes as pessoas às gargalhadas, mas edificação espiritual zero. O tempo de louvor é apenas pensado para introduzir a mensagem, como se Deus apenas falasse num momento específico do culto. Depois, um cânticozinho no fim para terminar, fica sempre bem. A mensagem. Planeada pelos homens apenas para ser uma exposição da Bíblia. Aplicá-la de uma forma profunda aos que estão presentes? Pode ferir alguém. Não convém. Deixa-se no ar.

Não, não estou frustrada com a Igreja. Creio que não se vive, nos nossos dias, uma fé verdadeira porque nunca se viveu. E o que nunca se viveu, precisa ser aprendido.

E só Deus para nos ensinar a viver uma fé como a de Jesus.

Mas para isso, precisamos nos lamentar. Arrependermo-nos, chorar, prantear porque reconhecemos que aquilo que vivemos é, muitas vezes, frio, seco, inútil. Arrependermo-nos porque somos fariseus e porque crucificaríamos Jesus também. Afinal, as Suas ideias estão crucificadas em muitas Igrejas. Ele não escaparia também aos que pensam estar agradando a Deus. Não somos filhos do Diabo, como Ele chamou aos fariseus, mas somos usados pelo Diabo. Ou será que alguns são mesmo filhos do Diabo?

É no choro, arrependimento, no pranto que muitos não se vêem. "Estamos bem assim. Arrepender-me de quê?"

"Como é que Te desprezámos?" perguntou o povo a Deus, nos tempos de Malaquias.

Glória a Deus porque este é o tempo da transformação. Deus está a levar ao espírito de muitos filhos o sentimento de arrependimento, de pranto, de choro. Está a levar muitos corações a se ajoelharem diante d'Ele e reconhecerem que, mesmo se dizendo Seus filhos, nunca viveram a vida abundante que Ele promete. A sua fé não cresceu. Não conhecem o seu pai nem se apercebem quem são.

Agradeço muito a Deus por poder estar a viver este tempo. Por poder ver, algumas vezes apenas as sombras mas outras vezes visivelmente, a transformação que Ele começou a fazer no Seu povo.

Muitos continuarão a perguntar, até morrer: "Como é que Te desprezámos?" mas muitos serão transformados e vivificados. E o mesmo Espírito que levantou Jesus dentre os mortos será o nosso guia. A Sua voz será ouvida audivelmente. Ele mesmo nos ensinará a viver assim.
E como Deus não é homem para que minta, o que Ele falou, está falado! E cumprir-se-á!
Quero que os meus olhos estejam abertos para ver.

Finalmente...

... sinto algo surgir no meu interior, algo que tenho pedido a Deus.

Finalmente começo a ver uma rocha formar-se debaixo dos meus pés.

Pai, Tu sabes que eu digo "finalmente", mas eu sei que Tu sempre tens estado a responder ao meu pedido. Tudo faz parte, eu sei...

É bom quando os nossos olhos começam a vislumbrar algo que pedimos à tanto ao Pai. Ainda que seja ainda uma sombra, um rumor, um vislumbre.

"Os olhos do Senhor estão voltados para os justos e os seus ouvidos estão atentos ao seu clamor." Sl 34:16

Obrigada. Obrigada

Flecha

A pedido de muitas famílias (hihi) ... aqui estão algumas fotos da minha filha.


"Os filhos são uma dádiva do Senhor, eles são uma verdadeira bênção. Os filhos nascidos na nossa juventude são como flechas nas mãos dum guerreiro.
Feliz o homem que tem muitas dessas flechas! Não será envergonhado pelos seus inimigos, quando tiver de se defender diante dos juízes." Sl 127:3-5

Realmente estou mais rica hoje do que há um ano atrás (sim, porque o tempo que a minha filha passou na barriga também conta).

A Bíblia é muito clara: os filhos são uma bênção, presentes do Senhor.

Ando ainda a aprender o profundo significado destas palavras de Salomão, mas já experimentei um pouquinho o que significa os filhos serem setas nas mãos de um guerreiro...

Obrigada, Pai, por me abençoares tanto, desde o meu nascimento, quando ainda não Te conhecia conscientemente. Ajuda-me a viver aninhada debaixo das Tuas asas, dentro do Teu templo. Tu habitas aqui mesmo, dentro de mim, e o meu objectivo de vida é viver a minha vida como um casamento contigo, cheio de amor, palavras e gestos.

Obrigada pela Tua fidelidade, pelo Teu amor. Eles são preciosos para mim e eu quero conhecê-los cada vez mais. Ajuda-me, ensina-me o caminho, pois eu não sei lá chegar.

Sabes o quanto sou limitada mas eu sei que as coisas que tenho cá dentro foram colocadas por Ti, desde que nasci. Eu não vejo como, Pai, mas ajuda-me a crer. Este é o tempo de eu crer e não duvidar, de me aquietar e ver os Teus passos, algumas vezes tão visíveis, outras vezes tão na sombra...

Mas o que Tu falas, cumpre-se. Ajuda-me a não se esquecer disso, NUNCA.

Amo-Te, meu Amado. Quero contigo viver.

Olhar profundo

"O teu conhecimento a meu respeito é muito profundo; está para além da minha compreensão." Sl 139:6

Vivo momentos que parecem um autêntico retiro espiritual. Não porque estou mais "espiritual" (não gosto nada desta definição!), mas porque Deus, mesmo quando eu não O busco, se resolve aproximar de mim.

Vivo momentos em que vejo que afinal não sou assim uma filha tão entregue como isso. Eu que pensava entregar ao Pai tantas coisas afinal vejo que há coisas básicas, do mais profundo do meu ser, que eu não Lhe entrego.

Vivo momentos em que vejo que, ainda que pensasse viver o meu dia-a-dia entregando cada decisão ao Pai, afinal há coisas básicas em mim que eu não estou a entregar.

Coisas que eu não via. Sinceramente nunca me apercebi. Ao longo de estes últimos anos Deus tem-me revelado tantas coisas acerca de mim mesma: sentimentos e motivações incorrectas; e aperceber-me disso, iluminada pelo Seu Espírito, tem sido um autêntico caminho de cura. Cura que vem d'Ele, Cura necessária ao Nascer de Novo.

Mais coisas entregues neste mesmo dia na Sala do Trono. Deixei a personalidade da Paula diante dos Seus pés, mais uma vez.

E uma coisa me espanta, hoje que pensei tanto nestas coisas: como é que Deus, que tem um conhecimento tão profundo sobre mim, mesmo assim soprou o Seu Espírito em mim?

Este plano de Deus em mim é algo que eu não mereço. Imerecido. É injusto, humanamente falando, porque eu ainda não lhe dou AMOR e HONRA como Ele mereceria.

Ele ama-me, simplesmente. E isso, ainda que eu não compreenda, deixa-me confortada, de coração aquecido, mas um pouco quebrado, ao mesmo tempo.

Ter esta verdade cada vez mais marcada em mim é um dos pilares da minha vida com Ele.

Obrigada Paizinho.

E agora, meu Amado, eu digo, como David:

"A minha alma espera pelo Senhor, mais do que a sentinela pelo romper da aurora." Sl 130:6

Super Strong God

Alguém me mandou este vídeo e me disse que esta é a música da minha filha. Obrigada :)

Gostei muito mesmo de a ver e ouvir. Edificou-me, principalmente por ver uma sinceridade tão grande nalgumas crianças que aparecem. Quero ser como elas...

E resolvi partilhá-la aqui, junto com as seguintes palavras:

"Então Elcaná regressou para a sua casa, em Ramá, e o menino Samuel ficou no santuário de Silo a servir o Senhor, às ordens do sacerdote Eli." I Sm 2:11

E diz a Palavra que o menino era muito pequenino, tinha acabado de ser desmamado quando foi deixado com Eli. E já aí ele servia ao Senhor. E eu creio que Deus se agradava muito dessa criança, ainda que aos olhos humanos Samuel fizesse pouco mais do que comer, brincar, dormir e aprender algumas coisas com Eli (sendo já mais velho).

Há algo muito grande de Deus nas crianças, porém sempre fomos ensinados a desvalorizá-las, a ter pouca paciência para a sua espontaneidade, a julgar que elas não sabem nada da vida espiritual, são simples, são básicas, os seus interesses são outros.

Estamos enganados. Se Deus resolveu fazer com que os seres humanos passassem por uma fase de crescimento prolongado, desde a fecundação até que se tornam adultos, é porque em todo esse processo Ele já se agrada dessas crianças e o Seu plano se cumpre nelas.

Deus não é impaciente, não tem pressa em ter adultos ao Seu serviço mas está tão presente nesses seres tão especiais.

E já agora, Samuel era tão acarinhado por Deus que tinha a ousadia de dormir junto da Arca da Aliança, bem no interior do Santuário, no Santo dos Santos e não ser fulminado por Deus.
Sim, aquele lugar onde só o Sumo-Sacerdote podia entrar uma vez por ano e, para fazer isso, levava pendurado no seu manto alguns sinos que tocavam quando ele lá entrava, para não ser morto por Deus.

Mas Samuel dormia junto da Arca... há algo aqui extremamente especial no coração de Samuel que conquistou Deus. Algo que eu ando a descobrir o que é e que também desejo ter bem guardado no meu.

Deus te abençoe com a Sua Graça.

Inquietação


Dou por mim a ouvir a voz de Deus enquanto ando numa livraria a ver livros.

Olho para um livro em que a capa é a face de uma mulher africana e entendo, naquele preciso momento, o porquê do povo desse continente mexer tanto comigo.


Primeiro pensei: "Engraçado eu já ter nascido com este gosto, com esta vontade tão grande nem sei de quê."
E depois ouvi a voz do Espírito: "Pois, Paula, nasceste com esse gosto porque fui eu que o coloquei no teu coração. Não há nada que não venha de mim."
E, ao ouvir esta frase tão simples e tão básica, entendi que há uma razão muito forte para eu estar inquieta com este continente.
Inquietação, um sentimento difícil de descrever mas que está bem cá dentro e que não me deixa esquecer algo...
Cada vez mais me convenço e entendo as palavras de Paulo ao dizer que é Deus que coloca em nós o querer e o efectuar.
Eu quero, mas não sei bem o quê... mas a inquietação está lá. E é tão grande que me assusta... tão grande que enche o meu peito.
Como as sentinelas que não se podem calar, eu não posso deixar de sentir...
Porquê, Pai? Espero em ti, apaixonadamente... Aguardo ouvir a Tua voz que me encanta.

Insensibilidade dos religiosos

Se há alguém que me impressiona muito na Bíblia é Ana, mãe de Samuel.

Parece que cada vez que leio a sua história (curta, nas páginas da Bíblia), há algo novo que surge no meu coração.

Ana era uma mulher extremamente sensível e mansa, com outros e em relação a Deus. Tinha uma sensibilidade e uma mansidão que eu invejo. Não hipersensibilidade desiquilibrada, mas sensibilidade humana e espiritual. Não era "parvinha, capacho", mas era muito mansa.

Uma das muitas coisas que tenho aprendido com ela ultimamente tem sido a reacção dela com Eli, o sacerdote.

Depois de sofrer por tanto tempo as humilhações da outra esposa do marido, Ana, que chorava muito e não conseguia nem comer, dirigiu-se ao Santuário, e aí derramou-se completamente diante do Senhor.


"Ana estava muito triste e, enquanto orava ao Senhor, as lágrimas caiam-lhe abundantemente." I Sm 1:10


E ficou muito tempo em oração. E eu só a consigo imaginar numa posição: prostrada. Consigo até imaginar as suas vestes, espalhadas no chão. Só ela e Deus poderiam avaliar o sofrimento que estava no seu coração.

Normalmente, pelo menos comigo é assim, os momentos mais prolongados que passo com Deus são em alturas difíceis. Parece que estar com Ele é um refúgio autêntico, onde as lágrimas saem, onde tudo aquilo que atribula o meu coração vai saindo, pelas minhas palavras, pelo meu silêncio ou simplesmente pelas minhas lágrimas.

E são momentos que, geralmente, produzem em mim o mesmo efeito que em Ana:


"Então ela foi-se embora, comeu alguma coisa e já parecia que tinha outra cara." I Sm 1:18b


A mim choca-me a reacção de Eli com ela. Eli, um sacerdote de Deus, foi extremamente insensível para com Ana.

Consigo imaginar Ana prostrada no chão, orando silenciosamente, com as lágrimas a cair, durante horas e Eli, levantar-se do seu lugar na entrada do templo e aproximar-se, silenciosamente, de Ana.

Deve ter-se baixado devagar até Ana e tentou escutar o que ela dizia. Como não ouviu nada, disse-lhe algo que a mim me teria ferido profundamente numa situação daquelas:


"Até quando continuarás embriagada? Vai curtir a bebedeira para outro sítio!" I Sm 1:14


Um balde de água fria! Como é que alguém que devia estar familiarizado com as coisas do Reino espiritual pôde ser tão frio e tão incompreensível com alguém que estava tão ligado ao Senhor naquele momento?

Penso muito no que teria levado Eli a não discernir o que se passava entre Ana e Deus naquele momento.


Será que ele não estava habituado a passar, ele próprio, tanto tempo diante do Senhor?


Será que não estava habituado a ver alguém com uma postura tão sincera diante de Deus? Se calhar estava mais habituado a celebrar os sacrifícios apenas do que a ver alguém a fazer algo mais. Não sei.


Se calhar não era normal ver alguém com um relacionamento tão chegado a Deus, pois nos tempos do filho de Ana, Samuel, diz a Palavra que Deus falava muito pouco naquela altura.

Talvez Ana tivesse feito publicamente algo que não era normal naquele tempo. E Eli não a compreendeu. Porque se tivesse entendido, ter-se-ia alegrado pelo que estava a ver. Se calhar teria falado com Ana, mas sobre a sua situação. Tê-la-ia encorajado.

Se fosse eu, naquela situação, teria ficado muito chateada e triste com Eli e se calhar teria reagido mal, virando-lhe as costas e saindo do templo, desapontada com ele. Teria pensado: "Insensível!"

Mas Ana teve uma atitude que também me choca, pela positiva: foi tão mansa! Não a consigo imaginar a dizer o que disse a Eli sem as suas palavras serem mansas e suaves. E no fim da conversa deles, ela disse algo que me prova isso:


"Possa eu ser sempre bem acolhida por ti, meu senhor!" I Sm 1:18a


Se fosse eu, teria dito com toda a ironia, ou pelo menos pensado: "Obrigada por seres tão insensível, tão compreensivo. Vê lá se para a próxima reages de forma diferente com quem está a ser sincero." Ou então, mais provável, não lhe dizia nada e nunca mais lá voltava.

Mas Ana foi mansa e o próprio Eli acabou por entender o que se tinha passado, tanto que lhe desejou que Deus lhe concedesse o que ela pediu.

E foi a esse mesmo homem que Ana, passado uns tempos, entregou Samuel, tão pequenino ainda, para que servisse a Deus ao lado dele.

Fico a pensar muito em Ana. O meu coração fica ligado na sua forma de ser... e fico a meditar nestas coisas... profundamente... Que Deus me ajude a ser mansa e sensível, com Ele e com os outros.

Novos tempos!

Nestes meus últimos meses de vida começo a viver situações que eu não controlo.
O que é verdade é que até hoje já vivi várias situações que não controlava, mas parece que nenhuma delas teve o efeito que estas têm tido.

Sempre estive habituada a ouvir: “Se pedes a Deus para crescer, virão provações.”

Sei que muitas pessoas dizem isso da boca para fora, mas esta tem sido uma verdade na minha vida, nos últimos tempos.

A minha oração constante de há alguns anos para cá tem sido: “Deus, eu quero ser cada vez mais íntima de Ti, próxima, chegada, amiga. Eu quero saber o que estou aqui a fazer.”

E, num período relativamente recente, parece que se ergueu uma barreira entre mim e Deus, depois de já ter vivido e experimentado tanto d’Ele… Porquê? Esta foi uma pergunta que muito tempo esteve na minha mente, várias vezes ao dia. Mas o que é certo é que a minha amizade com Ele deixou de ser a mesma.

As palavras deixaram de fluir naturalmente, eu queria pedir-lhe coisas de todo o coração mas parecia que as palavras saiam “surdas”, ou simplesmente não saiam. Ficavam cá dentro a ecoar.

E um sentimento de tristeza invadia o meu coração, porque uma vez apaixonada por Ele, para sempre ligada a Ele. E estar ligada emocionalmente a alguém, seja humano ou espiritual, e sentir que esse relacionamento não está bem é uma das coisas que mais me faz sofrer nesta vida. É talvez a área onde Satanás mais me tenta.

Muitas vezes cheguei a dizer ao Pai: “Olha, lê por favor o meu coração, lê, Pai, porque eu não consigo dizer-Te o que sinto. Mas Tu sabes o que eu desejo, o que eu sinto.”

E durante meses eu não via resposta, ou melhor, não sentia nenhuma resposta. Sentia tudo na mesma: eu na mesma, Deus na mesma. E o sofrimento da separação continuava em mim. Parecia que quantos mais dias vivia assim, mais dor eu sentia. Sem Ele, tudo perde a cor na minha vida, no meu coração, nas minhas palavras, nos meus gestos, nos meus sentimentos e até pensamentos. Mais do que pura conversa, isto é a verdade dentro de mim.

Sou realmente NADA nesta vida, e agradeço ao Pai por poder ter consciência disto. É esta consciência que me leva constantemente aos Seus pés de amor. Sei que eu não tenho nada de bom, realmente, e se há alguma coisa boa em mim eu sei que vem dele. Não vem da minha personalidade, não vem da minha experiência de vida.

Passaram-se uns tempos e nasce a minha filha.

(Hehe, acabei de receber uma notícia que me deixou com um enorme sorriso nos lábios. Estou muito feliz, mana e achei que devia registar aqui o momento porque sinto que está relacionado).

A mesma oração de pedido de intimidade cada vez maior continua no meu coração. E Deus rapidamente respondeu. As cólicas da minha filha levaram a que a minha dependência dele aumentasse bruscamente. Dias quase inteiros a chorar e parecia que nada a acalmava fizeram com que eu passasse o dia em oração, em conversa com o Pai. Literalmente.

Nunca eu tinha vivido momentos de dependência tão grande, tão ao pormenor, conversando em todo o tempo com Ele sobre o que se estava a passar e o que eu estava a sentir. Ele foi, literalmente, o meu amigo mais chegado. Quantas e quantas vezes me ajoelhava diante d’Ele e Ele respondia, umas vezes como eu estava à espera, outras de uma forma completamente diferente.

Esses dias marcaram uma reviravolta espiritual na minha vida.

A minha filha já não tem praticamente cólicas, mas os resultados do que vivi nessa fase perduraram no meu interior, principalmente no meu espírito, e eu posso contemplar a tamanha bênção que Deus está a trazer sobre a minha vida, principalmente depois do seu nascimento.

Agora eu tento continuar a depender do meu Amigo de uma forma igualmente íntima, igualmente intensa. E agora, eu começo a ouvir de novo as Suas palavras sobre o meu ministério nesta terra, ministério esse que eu ainda não sei definir, não consigo ver, não sei qual é, mas que sei que Ele, que traça os caminhos, me está a encaminhar para lá.

Quero ter ouvidos sensíveis para ouvi-lo nesta nova fase. Novos tempos estão a vir sobre mim, e Ele sabe o quanto preciso da Sua acção no meu interior para que possa continuar a avançar, dia após dia.

Ele já me mostrou coisas que me estão a prender e sempre têm prendido. Eu olho para elas e digo-lhe: “Tu sabes que eu não consigo ser de outra forma.”

Mas eu espero n’Ele e sei que se essas coisas andam no meu coração, levadas lá pelo Espírito, Deus vai transformar-me. Espero pela Sua cura, todos os dias, em todas as ocasiões, pois sei que se Ele curar isso, eu serei ainda mais livre para cumprir o que Ele tem para mim. E Ele, o Deus que já me curou de tantas coisas, também agirá no meu interior.

E de novo, dou por mim a ler coisas que escrevi há sensivelmente um ano atrás, no dia 15 de Agosto de 2006, em solo marroquino:

“Reconstruirão o que há muito estava em ruínas, levantarão as casas em escombros, restaurarão as cidades arrasadas por muitas gerações.” Is 61:4

“Uma Geração Viva para levantar e vivificar a Igreja do Senhor em Portugal, saindo desta nação restaurada um Rio que corre para o Norte de África. Aleluia, Deus está a fazer germinar a Salvação e o louvor diante de todas as nações!”

E a mesma pergunta que eu escrevi, eu faço hoje:

“Pai, como é que eu posso abrir o caminho, aplaná-lo e tirar todos os obstáculos de diante dos filhos, da Igreja portuguesa?”

Esta pergunta continua no ar, mas Ele está a responder-me, e sei que o que Ele quer de mim neste momento é que eu O busque, que medite nestas coisas, pois Ele vai falar-me coisas relacionadas com elas.

Sou toda ouvidos, Pai. Quero dizer, como Samuel: “Fala que a Tua serva ouve.”

Geração Viva:


Cada um de nós foi escolhido a dedo. Não és o único/a a ter limitações. Deus escolheu-te mesmo assim e Ele mesmo restaurará a tua auto-estima espiritual. Ainda que não vejas, o teu coração não conseguirá mais se desligar do propósito espiritual que Ele tem para nós em conjunto. Nós completamo-nos e precisamos uns dos outros. Espiritualmente somos um corpo e veremos, ainda mais, mares abrindo-se diante dos nossos olhos.

Deus te abençoe, Deus me abençoe, Deus nos abençoe, Portugal, nação do Senhor!

Lauryn Hill - I Gotta Find Peace Of Mind [MTV Unplugged]

É incrível a forma como esta música tão simples mexe tanto comigo.

Talvez porque ilustra tão bem a luta que vivo no meu dia-a-dia, quando ouço uma voz que me diz:

"Como é que uma pessoa tão fraca e tão insegura como tu vai conseguir?"

Apesar de muitas vezes eu dar ouvidos a esta voz, eu sei que é possível!

São essas as palavras deste refrão: "ele diz que é impossível, mas eu sei que é possível!"
Esta música é um autêntico clamor e eu identifico-me com cada lágrima que a Lauryn Hill derrama. Também já as derramei e derramo, quantas e quantas vezes.

Mas no fim alegro-me, porque Deus nunca é insensível às minhas lágrimas. NUNCA!

E o sentimento de liberdade que sinto vem daí: do facto de ser amada simplesmente porque sim! Não porque sou boa, não porque tenho boas qualidades, mas porque sim!

Esta verdade faz-me sentir LIVRE. Deus é como água, tão refrescante, tão bom...

Serenidade pela madrugada

São 6:30 da manhã.

Depois de ter tido que acordar a meio da noite (ainda bem que a minha filha resolveu interromper o sono hoje, hehe), algo não me deixa dormir. Não sei porquê.

Depois de fazer algumas coisas, sento-me aqui e falo com o Pai em pensamento.

Tão bom! Há algo tão sereno no meu coração, um sentimento que me faz sorrir neste preciso momento, ao pensar nisso, mas que eu não sei descrevê-lo para ninguém. Só para Ti, Pai, que lês corações.

És Tu, é a Tua doce presença, que apesar das minhas falhas, dos meus inúmeros pecados, do meu comodismo, estás aqui, sem eu merecer. É tão bom pensar nisso... E sorrir... Não rir, mas sorrir, com toda a serenidade.

Como sempre, há algo especial nestes nossos momentos de madrugada, quando tudo está calmo, quando o silêncio me aproxima de ti, mais do que a agitação do dia.

Engraçado, Deus para mim está mais no silêncio do que no meio de outras coisas.

É bom quando, mesmo não estando a pensar nisso, algo nos leva inevitavelmente o coração a Deus. É o Espírito, doce e suave, sereno. Suavemente sopra palavras e com as Suas mãos vira a minha cabeça para o alto, para aquele que é a fonte, fonte essa que é jorrada sobre mim pelo Espírito.

Sou tão imperfeita, Pai. Nem sei bem ainda qual o meu papel neste mundo, mas uma coisa eu sei: estou em Ti. Sou Tua amiga, imperfeita, mas sou, porque isso não depende da minha perfeição. Depende sobretudo do Teu coração. A minha imperfeição entristece-me, Tu sabes, mas eu quero, eu desejo, eu anseio estar mais contigo.

De olhos fechados e com o coração sentido, eu declaro que Te amo, e que volto a me deitar mais cheia, mais sorridente, mais feliz pelo Teu amor.

Só os simples vêem e se alegram


Muitas vezes vivo situações ou experiências que só eu posso compreender a 100% o que vivi (e Deus ainda melhor, claro).

Quantas vezes as pessoas que me rodeiam não entendem essas mesmas situações ou experiências. Podem até sorrir, dizer que sim, mas eu sei que no fundo, aquilo que eu vivo ou a forma como penso não é completamente entendida.


É normal. Todos nós somos pessoas diferentes, nunca vamos conseguir encarnar a pele de outros a 100%, ao ponto de sentirmos como alguém sente.

Do ponto de vista humano...

Porque com o Espírito em nós, nós podemos sentir o que o outro sente, podemos até sentir esse efeito na nossa própria pele, no nosso interior. Mais uma vez, o Espírito quebra as leis naturais, formadas por Jesus.

E cada vez mais me convenço de que quem vive uma vida VIVA com o Pai, é incompreendido por quase todos, porque quem não vive intimidade verdadeira, complica.

Já David dizia:

"O Senhor é a minha Glória! Os homens simples ouvirão e se alegrarão com isso." Sl 34:3

Só os homens simples podiam alegrar-se com o relacionamento de David com Deus. Para os doutores e estudiosos, não era fácil compreender... aos seus olhos, David era um louco, um abusador espiritual.

Mais uma vez, é a simplicidade que nos permite alegrarmo-nos quando vemos ou sentimos alguém perto do Pai. É a simplicidade nos nossos corações que nos permite entrar no reino da Fé. A fé é dos simples.

E se o nosso coração é demasiado complicado, nunca vamos conseguir viver na intimidade completa com o Pai, nunca nos vamos alegrar uns com os outros, não há olhos abertos no Reino Espiritual.

Afinal,

"Felizes os que no seu espírito são como pobres, porque a eles é dado o Reino dos céus." Mt 5:3

O Reino espiritual não é dos estudiosos, não é dos experientes, não é dos maduros, não é dos sofridos, não é dos espertos, não é dos que sabem muito, não é dos mais velhos.

O Reino espiritual é dado a conhecer aos que humildemente vão, dia após dia, aos pés do Pai, admitindo que se não for Ele, apenas há complicação interior, falta de visão, falta de sentimentos correctos.

É daquele que não tem nada. Que é pobre. Só lhe resta Jesus. Desses é o Reino dos Céus. Essas pessoas, sim, conhecem o Reino.
Eu quero ser simples, cada vez mais. É esta a minha oração!

Vivências da bênção

Texto escrito no dia 20 de Julho.


Faz hoje um mês que a Inês nasceu e é hoje que eu sinto que devo voltar a escrever algo neste lugar. Coincidência? Não, porque elas não existem.

E como regresso, senti da parte de Deus que deveria aqui deixar alguns pensamentos e vivências minhas ao longo deste mês que passou.

Faz hoje um mês que comecei a viver de uma forma diferente a bênção que o Senhor nos deu. E em cada dia, desde aí, eu tenho sentido a mão de Deus sobre mim e sobre a minha família.

A Inês é alguém especial, que foi planeada no céu, e quem Deus fez a mim e ao meu amado desejarmos.

Sim, porque a sua origem não foi nos nossos corações. Todas as famílias, humanas ou espirituais, têm a sua origem em Deus. Por isso, não há criança, não há homem, não há mulher que se unam por vontade própria. A união verdadeira entre duas pessoas é sonhada pelo Pai e o nascimento de cada filho igualmente.

“Por este motivo, eu me ajoelho em oração diante de Deus Pai, no qual toda a família, tanto no céu como na terra, tem a sua origem.” Ef 3:14,15

Eu amo a minha família e está bem marcado em mim que foi Deus quem a desenhou. Foi Deus quem desenhou o meu amado esposo, o qual cada vez eu amo mais, e foi Deus quem desenhou a nossa princesa linda.

Em cada dia de vida da pequena Inês eu tenho sido abençoada pelo Senhor. Não porque todos os dias têm sido fáceis, não porque ainda é novidade e eu estou contente… “Deixa chegarem dias difíceis e logo vais ver”, são as frases de alguns… pena que se olhe assim para um ser que é uma bênção do Senhor. Diz a Palavra. E não acreditar nisso ou contradizer é não ver como Deus vê.

A cada dia tenho sido abençoada porque em cada dificuldade que tem surgido, eu tenho sentido direcção de Deus, renovo de Deus, milagres imediatos e não imediatos, de tudo um pouco. Ele tem sido realmente o meu Amigo querido, aquele que faz o que quer, aquele que não vê como nós vemos, aquele que vê como as coisas realmente devem ser vistas. E, simplesmente porque humildemente tenho pedido, Ele tem-me dado da Sua visão sobre a minha vida e a vida da minha família. E assim desejo que continue.

E nestes curtos 30 dias, já entendi que há palavras de Deus que vão acompanhar a nossa vida a 3 e especialmente a vida da nossa pequena filha:

“O Senhor é quem vigia sobre os seus fiéis, sobre aqueles que esperam na sua bondade; Ele livra-nos da morte e mantém-nos vivos no tempo da fome.
Nós pomos a nossa esperança no Senhor; é Ele quem nos ajuda e protege! Ele é toda a nossa alegria; confiamos plenamente no Deus santo. Que o Teu amor, Senhor, nos acompanhe, pois pusemos em ti a nossa confiança.”
Sl 33:18-22


E esta imagem, para quem a conhece e sabe onde ela está, simboliza isso: Deus vigiando sobre nós, Deus como Pastor. Logo, nada nos faltará!


Amados amigos e irmãos,

Que nunca possamos reclamar da nossa família, dos nossos filhos, pois cada um foi planeado nos céus, desejado nos corações dos homens por sopro divino, não por vontade própria.

Quando apenas olhamos como toda a gente olha, só mostramos que no nosso interior não está a fluir o Espírito, Ele não está impregnado na nossa mente, nem nas nossas emoções. Simplesmente, somos iguais aos outros.

“Não vivam de acordo com as normas deste mundo, mas transformem-se, adquirindo uma nova mentalidade. Assim compreenderão qual é a vontade de Deus, isso é, o que é bom, o que Lhe é agradável e o que é perfeito.” Rm 12:2

Precisamos de transformação interior, a qual nos leva, dia-a-dia, a adquirir uma nova mentalidade e um novo sentir, acrescentaria eu. Esta tem sido a minha vivência, o meu pedido ao Pai, porque eu sei que só assim, como diz Paulo, eu posso compreender qual a vontade d’Ele, o que Lhe agrada, o que Lhe faz sorrir.

Eu preciso de me ajoelhar a cada dia, me esvaziando e pedindo isto, para que possa usufruir cada momento da minha vida como Deus planeou.

Deus, eu amo-te.