A incompreensível paciência do Pai


“Porém, aquele que vive do Espírito é capaz de fazer um juízo sobre todas as coisas, e a ele ninguém o pode julgar. Na verdade está escrito:
‘Quem poderá conhecer o pensamento do Senhor? Quem será capaz de lhe dar conselhos?’ Mas nós possuímos o pensamento de Cristo.”
I Co 2:15


Nós possuímos o pensamento de Cristo… e a partir do momento em que possuímos este pensar, é impossível deixar de o ter… é a conclusão a que tenho chegado.

Vejo-me muitas vezes na minha vida espiritual num ponto em que paro, olho, penso e sobretudo sinto: “Parece que estou a andar para trás… Aquilo que já vivi não o vivo agora…”

Parece que há algo que não me deixa avançar, algo em mim, não em Deus. Deus é perfeito, eu não o sou.

E parece que estes momentos acontecem sempre depois de viver algo espiritualmente intenso, depois de Deus abrir os meus olhos para algo e eu chorar e vibrar de emoção por finalmente estar a ver, por finalmente estar a compreender!

Os momentos em que Deus decide abrir o véu de uma forma diferente são momentos que me marcam muito… mexem muito comigo e eu sinto a confirmação nesses momentos de que sou alguém que não pode viver sem o Pai, sem a REALIDADE da Sua presença.

Não me contento mais com o chapinhar nas Suas águas, nos Seus Rios. Eu quero mergulhar, eu PRECISO mergulhar!

Eu nasci com essa sede e desde muito pequena que tenho algo dentro de mim que clama pelo transcendente, pelo que não é material. Todo o ser humano tem isso dentro dele, mas eu sei que Deus deu um toque especial a essa característica em mim, ou seja, essa minha característica foi-me dada por ele, não é apenas personalidade minha.

Porém, quanto mais sedenta, mais infeliz me sinto se não estiver na Sua presença, mais desgraçada, mais vazia, mais seca…

Muitas vezes nesses momentos eu penso: “Chega, não vou mais buscar, não vou mais procurar, não quero descobrir mais nada, não quero que me mostres mais nada pois eu não vou avançar, não consigo, não sou merecedora disso… sou cabeça dura. Por isso, Deus, eu quero esquecer tudo o que me tens mostrado.”

E faço como Pedro… volto a lançar as redes ao mar, esquecendo os homens e querendo apenas pescar peixes… esses, pelo menos, dão-me menos dor de cabeça, não me fazem sentir mal nem constrangida… esses não têm necessidades que me constranjam.

Passo dias em que não quero sequer pensar nessas coisas, mas há sempre algo no meu coração que não me deixa esquecer.

É o mesmo sentimento que temos quando amamos alguém mas esse alguém nos magoa profundamente ou não corresponde ao nosso amor. Chega a um ponto em que nos esforçamos por esquecer essa pessoa, nem sequer pensar porque o mais simples pensamento faz com que o coração sinta algo… e nós não queremos sentir, não queremos sequer reacender nada… queremos esquecer, apagar, abafar…
Mas, quando menos esperamos, cruzamo-nos com a pessoa ou vemos ou ouvimos algo que nos faz lembrar a pessoa e ZÁS, o coração sente algo… não conseguimos esquecer… e tudo se reacende… não dá para gerir.

É isto que muitas vezes tento fazer com as coisas que Deus me fala… esquecer, esquecer, esquecer, mas o Seu Espírito em mim não se cala… engraçado que o Espírito é profundamente sensível, pois sabe respeitar os dias em que eu preciso de silêncio espiritual. Mas passados esses dias, Ele volta a começar a falar, muito subtilmente, com a mesma subtileza com que alguém limpa uma ferida profundíssima. Devagarinho, olhando para a pessoa, tentando perceber se o tratamento está a produzir uma cura muito rápida ou se tem de ir mais devagarinho. E quando o tratamento está a fazer arder a ferida, Ele estende a Sua mão e limpa as minhas lágrimas.

Assim é o Espírito, mas agindo de uma forma perfeita, com uma total sabedoria, com um total cuidado e conhecimento do meu ser.

E tudo volta ao meu coração, tão devagarinho, mas cada vez mais intensamente: todos os ensinamentos, todas as promessas, todas as trocas de amor que já aconteceram (e que só de pensar nelas choro… mas também sorrio).

Tenho em mim o pensamento de Cristo e não posso mais voltar atrás… Não sei porque Deus não desiste de mim, mas cada vez mais me assombra a Sua paciência em sempre me levantar quando eu estou caída e sou a primeira a não me querer levantar.

Só há uma explicação: AMOR! Amor, amor, amor numa dose tão grande que o meu próprio corpo não pode suportar isso.

E a chama é de novo acesa, mas cada vez que ela volta a ser acesa, o seu fogo consome-me mais, arde em mim com uma intensidade avassaladora. E o meu coração bate, parecendo que o meu peito não é suficiente para abarcar tudo o que vivo.

Ah, Pai, porquê eu? Porquê? Quem sou eu para que Te lembres de mim?

3 comentários:

Brisa disse...

Minha querida! Que saudades tuas!!!!
Tenho muitas saudades :D
Amiga,esta noite quando regressava a casa, não sei porquê, veio a minha mente Icoríntios 2, vinha-me lembrado os momentos em que este capítulo de coríntios se tornou palavra viva para mim, vinha-me lembrando o dia em que partilhei esta palavra na missão e o encorajamento que me foi dado, e nestas memórias, algo veio ao meu coração, a palavra dada por Deus, revelada pelo Espírito, ensinada, entendida pelo Espírito, não é esquecida, a sua revelãção pode esquecer-se temporariamente, mas fica em nós, porque nos marcou profundamente e é como o azeite vem sempre ao de cima:D
Quando chego a casa e por curiosidade vim ler o teu blog, o que é que eu encontro???? ehehhe
palavras vivas, que me tocam profundamente, identifico-me com o que dizes, minha querida Paulinha, sabes quem és?????
És filha Amanda, pelo Pai, a tua essência é única, o teu perfume é agradável aprazível, tal como és! O Senhor te escolheu, por mais que tentemos fugir, o Senhor escolheu! E usa-nos tal como somos, para mim em muitas vezes é incompreensível como Deus me usa, tenho tantos defeitos, ajo tão erradamente em tantas vezes, fico taõ envergonhada! Mas o Senhor me escolheu e me usa! Essa é a verdade!
O Senhor Ama! O Seu Amor é tão grande, é inexplicável, a sua paciência, o seu cuidado, a forma linda como o Espírito Santo te respeita e é sensível, como é lindo!
Beijinhos querida!
Tu és filha Amada pelo Pai! Não há argumentos contra estas verdades!

Andrea disse...

Amor, amor, amor....

É imenso e profundo, não conseguimos entender a dimensão, a intensidade, mas é lindo e poderoso de se viver!

Maninha, um abraço carinhoso e sentido.

Tânia Palmeiro disse...

OI...
Estou de volta!!!
Já tenho net em casa novamente.
Net na casa nova!!!
Em relação ao post...
Ah mana...eu por vezes tb me sinto assim.
Aliás creio que qualquer pessoa que diga amar o Pai tem esses pensamentos uma vez por outra...
O episódio de Elias com os profetas de Baal e depois fuga para o monte horebe sempre falou muito ao meu coração.
E uma das coisas que mais me impressiona é exactamente o cuidado e a paciência de Deus para com o Seu servo.
Todos os dias nos devemos lembrar que sim, é verdade, não somos merecedores mas ainda assim...Ele escolheu nos amar porque...porque sim...
Deus te abençoe mana.