Ele fere e Ele liga

"Pois ele faz a ferida, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam." Jo 5:18

Estranho este versículo, não é? Desde a primeira vez que o ouvi, as suas palavras "chocaram" com algumas ideias pré-concebidas que tinha na minha mente...

"Deus faz feridas? Não me parece..." - pensava eu - "Deus é amor, Deus é bom"

Mas Deus faz feridas... e quem o diz é um homem que tem mais do que experiência para poder dizer isso, com todas as letras: JOB. Perdeu filhos, bens, saúde, amigos (acho que também os perdeu, sim...)... enfim.... mas o que mais me impressiona em JOB é a altura em que o seu corpo está tão ferido que ele usa cacos para raspar a sua pele... tal foi a situação.... impressiona... Deus fez feridas na vida de Job. Outros irão preferir dizer que Deus permitiu que feridas fossem feitas na vida de Job, sem serem directamente provenientes da Sua mão... Tudo bem, mas o que é certo é que o versículo diz que as mesmas mãos que curam (as de Deus), ferem...

Será Deus mau? NÃO, TODA A SUA NATUREZA É BOA. Isso está fora de questão...

Então se é assim, porque é que Deus faz ou permite que sejam feitas feridas na nossa vida?

Encontrei a resposta para o meu caso nas seguintes palavras:

"Os nossos pais terrestres corrigiam-nos conforme achavam justo para esta curta vida. Mas o Pai celestial corrige-nos para nosso próprio bem, com o fim de virmos a participar da sua santidade. Claro que ao recebermos uma correcção isso não nos dá alegria, mas sim tristeza. Porém, mais tarde, produz bons resultados naqueles que a aceitam e leva-os a uma vida de rectidão." Hb 12:10,11

Há portanto uma correcção que vem do Pai que produz momentaneamente tristeza, mas que contribui para ficarmos mais santos... O caso de Job foi diferente, pois o que ele passou não foi devido ao seu pecado, foi outra situação...

Tenho descoberto que para ir mais além, viver mais perto do Pai, ser UM com Ele, inclui momentos destes: olhar para mim e ver-me cheia de feridas... não por sadismo do Pai, porque o PAI ama incondicionallmente os Filhos, façam eles o que fizerem, mas porque é a resposta d'Ele ao desejo do filho ir mais além...

Mas porquê este caminho? No meu caso tenho percebido que preciso sentir-me completamente incapaz, vazia, sem nada para dar, sem capacidades próprias, cheia de feridas, para que sinta "na pele" que nada tenho a dizer, a ser, a mostrar, senão pela Sua capacidade... O vaso de barro apenas contém o poder que não é d'Ele... Eu creio que só quando sentimos na pele que não somos nada, quando choramos e choramos diante de Deus, clamando... é que estamos no início da caminhada para a intimidade mais profunda com Ele. É a minha experiência dos últimos tempos....

Mas a história não é uma história triste, pelo contrário... Job escreveu: ELE FERE E AS SUAS MÃOS CURAM.... A cura é o ponto final da história. Deus cura, cura mesmo.... tudo isto serve para que os filhos desenvolvam um maior amor pelo Pai, uma maior dependência, uma maior intimidade... sobretudo amor, gratidão pela Sua Graça, Misericórdia...

13 comentários:

Vilma disse...

Minha querida irmã e amiga: esta passagem também me toca muito e já me fez pensar bastante. O Deus que faz a ferida também a cura! E quando Ele fere, fere por amor, fere para o nosso bem... porque depois, Ele mesmo providencia a cura para a nossa ferida!
MAis uma vez, nos deixas entreaberto um pouco do Deus maravilhoso que é o Eu Sou!
Obrigada Paula! :)

Andrea disse...

Olá mana,

gostei destes teus pensamentos aqui colocados, principalmente porque eles são resultados da tua experiência pessoal com o Senhor.
Ninguem, nem nada, pode substituir as mãos do Senhor no nosso interior. Quem não experimenta não compreende.

Como ontem nós ouvimos:
"Não é magia, é para quem anda com Deus"

Que Deus te abençõe mana, que Ele faça prosperar o teu caminho, que Ele continue a saciar as tuas necessidades!
É bom ler a revelação que o Senhor tem feito ao teu coração.

Beijinhos com amor!

Marlene Maravilha disse...

Deus cura sim! É verdade minha irmã. Tudo isso faz parte da nossa verdade e do nosso dia a dia.
Mas temos que ficar em Sua total dependência mesmo! Nos esvaziando por completo de nós mesmos.

beijos.

Paula disse...

Olá!

Obrigada Vilma pelo teu comentário e amizade. Que o Pai te abençoe muito e continue sempre a curar as tuas feridas. És uma mulher de fé.

Mana, realmente o Espírito de Deus não é magia... é realidade e se é uma pessoa, fala, escuta, faz coisas... Desejo muito tb que Deus faça brilhar o Seu rosto cada vez mais sobre ti... pq n há nada mais transformador do que isso. Desejo também que todos os desejos do teu coração (tu e Deus sabem quais são) sejam satisfeitos por ELe. Amén! Um beijinho grande de quem te ama muito! És mto especial!

Marlene, falas em dependência e é mesmo isso... penso que Deus está a chamar em alta voz, através do Seu Espírito, o Seu povo para se esvaziar de si e depender, depender, depender... Beijinhos.

Aurora disse...

Querida Paula,
Mais uma vez me admiro com a sua sabedoria e amor pelo Pai. Os caminhos do Senhor são insondáveis e por vezes as feridas que Ele inflige no nosso coração são um portal para que outros encontrem o Amor de Deus. O texto que passo a transcrever explica muito melhor o que pretendo transmitir.
Coisas boas para si
Aurora

FERIDOS QUE CURAM
Isabelle Ludovico da Silva
in www.cppc.org.br

Provérbios de Salomão, na Bíblia, nos convidam a "entender o nosso próprio caminho" (Pv 14:8) e "estar atentos para os nossos passos" (Pv 14:15). De fato, a maturidade provém da capacidade de compreender a nossa história e integrar as peças esparsas do quebra cabeça que é a nossa existência para enxergar o quadro completo. As experiências marcantes da nossa vida precisam ser consideradas com reverência para encontrar o seu sentido mais profundo e aprender com elas. Tempo e atenção são necessários se queremos evitar a superficialidade.

Fomos criados à imagem de Deus que é Luz. Assim, quanto mais nos aproximamos dele numa atitude contemplativa, mais enxergamos a nossa própria realidade. O olhar amoroso de Deus nos permite superar o medo da rejeição e tirar as nossas máscaras para reconhecer tanto a nossa luz quanto a nossa sombra. Percebemos nossos limites, feridas, mecanismos de defesa e incoerências mas também nossa aspiração por amor, alegria e paz, nossa capacidade criativa e relacional, nossa busca de sentido existencial.

Identificamos, perplexos, a coexistência simultânea e sistêmica de alegria e tristeza, prazer e dor, sofrimento e paz, amor e solidão. Perceber esta condição da nossa humanidade entra em choque com o desejo de nos apegar a um estado mental dominante e obsessivo como a busca da felicidade permanente. Nossa sociedade a define como a ausência de dor e, para isto, construímos um castelo forte onde estamos protegidos mas também enclausurados. Poupar-nos do sofrimento acaba nos privando da alegria pois estes dois sentimentos são parceiros inseparáveis nesta vida. Nossa cultura prega uma felicidade artificial mantida com pílulas que anestesiam a dor camuflando nossa inescapável condição de mortalidade e fragilidade. Solitários e carentes, buscamos compensar o nosso vazio interior mediante um consumismo compulsivo.

O desejo mais profundo de amar e ser amado requer a disposição de baixar as defesas e nos torna vulneráveis. Como diz uma música popular: "Quem quiser aprender a amar, vai ter que chorar, vai ter que sofrer...". As feridas mais profundas e dolorosas não provém de acidentes que nos aconteceram mas do amor. O amor transforma nossa personalidade e nossa percepção. Ele nos arranca de um mundo unidimensional em preto e branco para nos transportar num universo de cores brilhantes e paisagens sempre renovadas. Quando o amor se retraí, sofremos a dor da perda. A alegria do encontro é proporcional à dor do desencontro.

Como diz o teólogo John Main, precisamos diferenciar feridas e machucados. Os machucados como o fracasso num teste, uma derrota financeira, uma expectativa frustrada, são sofrimento provisórios e superáveis. As feridas nos marcam para sempre. Elas modificam nossa percepção íntima e o fundamento da nossa identidade. Uma ferida significa que nada será como antes. O tempo apaga os machucados, não cura as feridas. Somente a imersão no amor absoluto de Deus pode curar nossas feridas. É preciso mergulhar na morte de Cristo para experimentar a sua ressurreição. O significado das nossas feridas emerge quando as vivenciamos na sua relação com outros eventos e padrões da nossa vida.

Conforme a maneira como lidamos com as nossas feridas, podemos nos tornar feridos que ferem ou feridos que curam. A Bíblia fala de dois tipos de tristeza: uma tristeza "mundana" que leva à auto comiseração, nos faz assumir o papel de vítima e "produz morte"; uma tristeza na perspectiva de Deus que gera transformação e vida (2 Coríntios 8:10). Mergulhando na história da nossa vida, encontramos momentos dramáticos em que tivemos que fazer a escolha crucial de nos tornarmos amargurados por nossas feridas ou feridos que curam. O filme recente "Patch Adams: o amor é contagioso" fala de um homem que fez a escolha de ser um ferido que cura e quase desistiu quando uma nova ferida o empurrou na beira do precipício. Para seu próprio bem e o bem das pessoas à sua volta, ele finalmente escolheu seguir o princípio bíblico de "vencer o mal com o bem"(Romanos 12:21). Na maioria das vezes, optamos por uma solução intermediária mesclando sentimentos de magoa e desejo de superar, passando alternativamente de vítima à protagonista.

Nossa experiência pessoal de feridos curados pelo amor incondicional de Deus é que nos permite aliviar o sofrimento de outros. Enquanto perseguimos nossa felicidade como prioridade absoluta, iremos fazer isto às custas do bem estar do outro. Mas ao buscar minorar a dor do nosso próximo, encontraremos a plenitude de alegria para a qual fomos criados. Ao acolher a realidade com todas as suas facetas, não podemos deixar de perceber o próprio Deus. Cristo é a Verdade e a Vida. Por isto, ao optarmos pela verdade encontraremos a Cristo, assim como através das coisas bonitas podemos enxergar a própria beleza.

A cruz de Cristo proclama que a vida não se preserva negando a morte mas acolhendo o ciclo de morte e renascimento. Por isto, somos chamados a "levar sempre nos corpo o morrer de Jesus para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo"( 2 Coríntios 4:10). Assim, em vez de fugir do sofrimento através de uma vida artificial, podemos superá-lo com o bálsamo do amor de Deus que transforma o mal em bem. Precisamos olhar para os retalhos espalhados da nossa vida na perspectiva de Cristo que venceu o mal e a morte. Assim podemos costurá-los para formar uma colcha que reflete a obra de arte única que é a nossa existência à luz do amor de Deus e na dependência do Espírito Santo.

Paula disse...

Olá Aurora, obrigada por tudo o que deixou. Estive a ler o texto atentamente e achei muito interessante. Vai até ao encontro de coisas que tenho pensado e lido. Tenho é algumas reticências em usar o termo "feridos que curam". Eu percebo e concordo com o autor, no sentido em que só quem há foi curado pode levar essa mesma cura a outros. O nosso testemunho, o auxílio que podemos dar, guiados pelo Espírito, trará com ele a nossa própria experiência com Deus. Isso é para mim indiscutível. Só não gosto muito do termo "feridos que curam" pq acho que os feridos deixam de ser feridos. São mesmo curados, totalmente. POdia chamar-se "Ex-feridos que curam" pq Deus pode mesmo curar a 100% as nossas feridas e por vezes utilizando essa expressão podemos passar a ideia de que as feridas continuam lá, apesar de amenizadas por ELe.

Um beijinho grande e volte sempre. As suas visitas são sempre mto agradáveis.

Dulce disse...

Paula, confesso que não entendo muito bem as feridas...
Por enquanto só posso aceitar e compreender o Amor do Pai. E não é pouco.
Beijinho

Paula disse...

Pois é dulce, e eu percebo q seja difícil entender as feridas... Elas não são lógicas, humanamente falando... resta-nos, pela fé, crermos no cuidado do Pai. Não duvidar do Seu amor, do Seu cuidado.

Ego ipse disse...

Um dos meus versos favoritos: (Romanos 11:32) - "Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia." Ele fez a ferida para que de alguma forma todos fossemos sarados

Teresinha disse...

eu nao sei se é o homem que diz que ele fere...mas uma coisa que eu sei é que tudo o que acontece na nossa vida,Ele consente para que nos aprendamos a viver e para que de dia para dia a sermos cada vez melhores e adora-lo cada vez mais!!!

sara disse...

poxa vida, nem te conheço, mas já publiquei comentarios em vários dos teus posts...que palavras sábias... Paula, o espírito santo se move em tuas palavras...são extremamente belas e inspiradoras... estou passando por um problema também, e como essa nossa falta de fé sempre nos insiste em derrubar, acabei com dificuldade dela mesma...e diminuido as orações... Mas o espírito é poderoso e bondoso e há de hj mesmo nos resgatar novamente para os braços do Pai...e renovar todos os carismas...AMEM
Deus abençoe tua vida!

GABRIELLE ROSSANA disse...

Tem momentos que achamos que a vida cristã é só feito de tristezas,lutas e que apartir do momento que você aceita jesus é a hora de viver e perder tudo que conseguiu no mundo.
Tive momentos na minha vida que ser de DEUS era assim. SÓ QUE DESCOBRI que DEUS É SEMPRE DEUS EU PASSANDO POR DIFICULDADES OU NÃO,E DESCOBRI TAMBÉM QUE DEUS NUNCA DEICHA O JUSTO VIVER NO DESERTO PRA SEMPRE. BERCEBI QUE SEMPRE HAVERÁ BALSAMO EM GILEADE E O MÉDICO PARA CURAR TODA DOR QUE É JESUS CRISTO !!!

GABRIELLE ROSSANA disse...

Tem momentos que achamos que a vida cristã é só feito de tristezas,lutas e que apartir do momento que você aceita jesus é a hora de viver e perder tudo que conseguiu no mundo.
Tive momentos na minha vida que ser de DEUS era assim. SÓ QUE DESCOBRI que DEUS É SEMPRE DEUS EU PASSANDO POR DIFICULDADES OU NÃO,E DESCOBRI TAMBÉM QUE DEUS NUNCA DEIXA O JUSTO VIVER NO DESERTO PRA SEMPRE. PERCEBI QUE SEMPRE HAVERÁ BÁLSAMO EM GILEADE E O MÉDICO PARA CURAR TODA DOR QUE É JESUS CRISTO !!!